domingo, 2 de setembro de 2012

Produtos Orgânicos

 






Em poucas palavras:

A produção orgânica leva em consideração a qualidade de vida do homem – de quem produz e de quem consome – e do ambiente, dispensando qualquer tipo de substância química.
Alguns estudos que avaliam o sabor e o aroma mostram uma leve superioridade do produto orgânico em relação ao similar convencional.
Por serem colhidos apenas na sua época, são produtos capazes de exibir sabor e aroma típicos, sem interferência de substâncias químicas.
Fonte: Jornal Folha de S. Paulo

Conservantes, espessantes, aromatizantes, realçadores de sabor, tudo isso misturado com proteínas, carboidratos, vitaminas, gordura e pouca fibra. Eis um resumo da nossa alimentação moderna. Contudo, sabemos realmente o que estamos comendo? De acordo com o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), a resposta é não!  Nos últimos anos o Idec encomendou estudos que investigaram as condições dos alimentos comercializados no varejo nacional. Na média, foram encontrados problemas em 20% das amostras de alimentos analisadas. São azeites de oliva fraudados, biscoitos sem a quantidade de vitaminas mostrada no rótulo, alimentos dietéticos com problemas na composição, balas importadas com corantes proibidos. A isso se soma o fato de que, cerca de 40% do leite e 70% das carnes vendidos no varejo não passaram por nenhuma inspeção sanitária (Bruns Neto, 2000). 

Isso significa que, além de não ter uma tradição de vigiar a qualidade dos alimentos, o Brasil possui o agravante de não contar com um programa nacional de controle dos alimentos, o que faz com que a fiscalização seja insuficiente e as pesquisas sejam ocasionais e fiquem restritas aos centros urbanos.


Consequência dessa alimentação

- Uma baixa qualidade dos produtos alimentícios com relação a sua toxicidade, refletida no grande número de aditivos químicos sintéticos, resíduos de agrotóxicos, processos de refinamento, processamento, entre outros.
- Uma superalimentação protéica, excesso de calorias, consumo excessivo de sal, açúcar e gordura e consequente aumento de doenças crônico-degenerativas (diabetes, hipertensão, arteriosclerose, obesidade, entre outras).
- Uma insuficiência de fontes de vitaminas, sais minerais, oligoelementos, pigmentos verdes (clorofila) e de fibras na dieta, sendo necessária a complementação com medicamentos desses elementos, sempre mais cara e muitas vezes sintética.

Desta forma, a Agronomia, a Veterinária e as Ciências dos Alimentos tornaram-se excessivamente especializadas e reduziram a noção de “qualidade” alimentar a aspectos puramente nutricionais e de biodisponibilidade, desconsiderando outras dimensões como a vitalidade e a ausência de substâncias tóxicas nos alimentos, como por exemplo, os agrotóxicos e aditivos sintéticos.
 
Saúde

Uma alimentação saudável, portanto, não se limita a “encher” o estômago humano. Além de responder às suas necessidades nutricionais, deve potencializar todas as suas funções biológicas vitais, auxiliando na renovação celular e demais processos metabólicos, promovendo um bem-estar nos planos físico, mental e até espiritual. Afinal, quem pode se dar ao luxo de elevar o espírito se estiver repletos de gastrites, prisão de ventre, hipertensão, diabetes e tantos outros males “terrenos” originados em maus hábitos alimentares? Ou seja, não basta apenas cultivarmos o propósito de “não morrermos pela boca”, podemos também obter qualidade de vida através do que ingerimos nas refeições e lanches.

Para tanto, é necessário pensar um alimento qualquer (frutos, folhas, grãos, tubérculos, raízes) a partir da planta que o origina. O raciocínio é simples (e até óbvio): uma planta sadia e nutrida de forma equilibrada originará um alimento também sadio e equilibrado. Mas, o que é exatamente uma planta sadia? As correntes da Agroecologia consideram como tal uma planta que possua os elementos nutritivos necessários para formar uma quantidade máxima de substâncias que a caracterizam, de forma equilibrada. Isso significa que a planta absorve os nutrientes presentes no solo de forma gradual e de acordo com suas necessidades: nem mais nem menos.
Na agricultura convencional, com a aplicação de adubos altamente solúveis, as plantas recebem altas doses de nitrogênio, fósforo e potássio que se acumulam na seiva promovendo um desequilíbrio entre as concentrações desses e de outros elementos (como o magnésio, o molibidênio, o cobre e outros microelementos). Neste contexto, as plantas crescem, ou melhor, “incham” defeituosamente porque existe um desequilíbrio entre os componentes celulares. Assim, os tecidos se desenvolvem fracos, aquosos e suscetíveis a todo tipo de doença. E plantas que se desenvolveram com uma relação entre os elementos químicos fortemente alterados, naturalmente, transmitirão aos seres humanos (direta ou indiretamente através de alimentos de origem animal) sua falta de vitalidade, sua suscetibilidade e seu desequilíbrio metabólico. Ou seja, pouco contribuem para que a população desenvolva seus potenciais físico e mental em plenitude.


Sabendo da influência dos sistemas de produção convencional e agroecológico sobre a qualidade do alimento, o consumidor que optar por alimentos orgânicos ainda precisará se certificar da autenticidade de tais produtos, o que é possível através da compra de alimentos com o selo de uma entidade certificadora local ou nacional. 

A grande diferença

Foi publicado no Journal of Applied Nutrition ( 1993 )  pesquisa realizada durante 2 anos  em Chicago, Estados Unidos, onde ficou comprovada a grande diferença entre o alimento orgânico e o alimento produzido de forma convencional. Foram analisadas várias amostras de maça, batata, pêra, trigo e milho doce, comprovou-se que os alimentos orgânicos possuem uma diferença acentuada no conteúdo de alguns minerais essenciais.

 Veja a tabela:
MINERAL
% superior do alimento orgânico
Cálcio
65
Ferro
73
Magnésio
118
Molibdênio
178
Fósforo
91
Potássio
125
Zinco
60
Mercúrio
MENOS 29 %

Obs: foram realizados de 4 a 15 amostras para cada grupo de alimento

Segundo análise na apresentação do Engenheiro Agrônomo Jorge Vailati do Instituto Biodinâmico , esta é a maior prova que, mesmo utilizando adubos quimicos, não se garante um maior nível de nutriente aos produtos da agricultura convencional.

Este fato mostra a superioridade de um sistema orgânico, mais eficiente. A liberdade de crescimento  e amadurecimento da planta, garante a nutrição de forma natural de acordo com as leis da natureza do reino vegetal.
 
Recomendação

A melhor recomendação é a de equilibrar ao máximo a alimentação, isto é, evitar excessos. A ingestão constante de alimentos industrializados, consumir um produto em grandes quantidades, são circunstâncias que podem facilitar ou predispor a ocorrência de distúrbios na saúde, muitas vezes difíceis de serem percebidos no diagnóstico das possíveis causas. Buscar, na medida do possível, privilegiar o consumo de alimentos frescos e produzidos sob manejo orgânico ou processados sem o uso de aditivos sintéticos é uma maneira simples e eficiente de diminuir à exposição às substâncias potencialmente prejudiciais à saúde.


Saber o que se come é tão importante quanto saber comer!



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